Débora Lopes

vai-e-volta eterno ao inferno, um apocalipse sentimental acontecendo, as coisas todas (aquelas) escapando pelos dedos e objetivos de vida lentamente tornam-se irrisórios. etcétaras: coisas que não morrem. uma bomba dentro da sela. cavalos mortos no jantar. porque perdoar toda uma humanidade é demasiadamente cansativo e explicações prolixas me fatigam. portanto, eu daria como regra número um não me enrolar: vá logo ao ponto. atentamente me desfaço: presto atenção na minha decadência e na sua, se preciso. sentada. em pé. tanto faz. ao inferno se vai de olhos fechados: movimentos (bruscos) ou não - às vezes esqueço como se respira.

zona sul
barulhos de tiros e vodka vomitada. o caos é tamanho. e mesmo assim, entre as incansáveis vírgulas, permaneço. silenciosa. pensante. sóbria. acendo um outro cigarro. não importa a hora. concentro. até dormir.

Alguma vergonha na cara
Poderíamos cuspir amor um na cara do outro e trocar palavras de ódio ou algum vai se foder raivoso e pronto. Mas somos educados demais. O máximo é desligar na cara, uma ofensa rídicula, um blablá desnecessário. Porque somos amantes demais. Confidentes demais. Nos amamos demais. Porque sentimos tesão demais. E fazemos planos demais. Não é só carne, é alma - absolutamente.

consumindo o óbvio
sofro porque poetizo demais as situações reais da vida. pois ver um cachorro magro na rua me comove horrores, e ser sentimental (contrário do que as pessoas pensam) é uma batalha diária. quando não amava ninguém, eu era o que era, mas eu era só. sozinha. sem muitas coincidências felizes. eu comigo. fumava cigarro atrás de cigarro, desesperada, enclausurando minhas emoções na egolândia. brigava e chamava de filha da puta, vai pro inferno, pra casa do caralho, eu quero é ficar só, não te desejo. por isso pulava sempre de galho em galho. amantes, steps medíocres e semi-fodas de uma noite só. eu me cansava de tentar encontrar coisas nas pessoas. até em meus melhores amigos, quando mesmo antes da noite acabar, já estava fatigada da conversa de sempre. das bebedeiras de sempre. das músicas de sempre. pois ninguém queria conversar sobre os meus discos preferidos. ou sobre as bandas novas que eu estava ouvindo. ou sobre remédios de tarja preta que a faxineira do meu trabalho tomava para emagrecer. banalidades, trivialidades e afins.

o lado doce da agressividade casual
ando religiosa. preciso de contemporaneidades; possuo os meus medos. tenho uma cartela de cores e não quero apreciar o grotesco da arte. a mais bela escultura possui suas falhas. o branco; saturado - namastê lifestyle. os primatas que me perdoem; eu quero meu trevo, eu quero minha sorte, eu quero minhas canções. quero minha criatividade aguçada. mas não sou uma saudosista frenética. não quero nada de volta; desejo o novo, puro, límpido - a dor inédita do acreditar nervoso. recriar meus projetos lovearquitetônicos - uma sinfonia de palavras bonitas e desejos ardentes. gosto do simples, da calmaria do mar. desejo o indesejável; algum charme. quero aprender sem ter que definhar com o tempo. quero o topo. alvoroçar o ego-eu. consumir o que é bom; a fidelidade palatável do amor coerente. um mar inteiro. azul. belo. o nosso mar de pensamentos bons. te amar; com o amor ininterrupto. numa velocidade lenta.

sempre tive uma admiração por mulheres de personalidade forte. gosto das que gritam, cansam e dormem. (Castália)

Débora Lopes

Nenhum comentário:

Postar um comentário