Estes são os trechos do diário do pecador encontrado no ano de 1994 nas areias mornas da praia do Leblon. Algumas de suas frases de vez em quando parecem meio fora do contexto, a forma dele falar de si mesmo é essa, ás vezes precisa, ás vezes desconexa:
Essa minha mania de ser anjo, de buscar a perfeição pelo coração, pelos sentimentos, pelo amor tornaram-me assim. A gente vê, ouve, toca as coisas que existem lá fora. E esse caráter sinestésico é o que para muitos simboliza a realidade. Porem aprendi a me olhar para dentro e isso é que hoje mais me importa. Olho-me no espelho. Fito a minha imagem e gosto de imaginar que o reflexo não é meu. E essa outra pessoa que me olha descobre meus defeitos, mas também reconhece minhas qualidades. Nessas horas esqueço do meu ego. Ali nu diante do espelho contemplo toda a minha imperfeição. E sou feliz por ela me ter.
Eu me encantei com aquela moça a primeira vista, como ela era bela, boca quase tão vermelha quanto uma maçã do amor, cabelos lisos e negros caiam por sobre seus ombros como se fosse cachoeira. A pele branquinha como a neve dos Alpes dava a impressão que ia derreter sob o sol forte. Os olhos não davam para saber a cor, mudavam sempre de tom, talvez estivessem de acordo com seu humor do dia. Mas não conversei com ela o suficiente para achar sua beleza digna do meu amor. Para mim a beleza também vem das palavras.
Paulo de Tarso é a minha sabedoria: “Eu morro todos os dias - e é por isso que eu vivo”. Sorriso e pranto, vitória e derrota, se caio, levanto. A vida é um paradoxo, para viver é preciso morrer. Para tanto, tenho uma estrela brilhando na testa e uma fênix voando no céu da minha boca.
Nessa jornada da minha alma pela evolução já estive na escola primária do ego e agora estou prestando vestibular para a universidade cósmica do Eu. Aqui no Rio, que é uma cidade do mar, quando passeio pela lagoa vou ouvindo vozes antigas, algumas de muita alegria e outras de profundo lamento. Aprendi a me acostumar com isso através do tempo. Mas não conto pra ninguém com medo que pensem que sou louco. Mal sabem eles que a loucura é o estagio máximo da lucidez. “ O hotel Marina quando acende/Não é por nós dois/Nem lembra o nosso amor /Os inocentes do Leblon....
No Rio as pessoas aplaudem o pôr-do-sol. Teve um dia que depois de muita maresia, passei a noite deitado nas pedras quentes do arpoador. Ah se eles soubesse como eu sou por dentro não me desprezariam tanto. É por isso que gravei na base da dor, uma pequena tatuagem de profundo significado. O Ying e o Yang estão marcados no meio das minhas costas. E o Tao revelou o meu destino: “Quem é iluminado por dentro parece escuro aos olhos do mundo. Quem progride interiormente parece ser um retrógrado. Quem é auto-realizado parece um homem imprestável. Quem segue a luz interna parece uma negação para o mundo. Quem se conserva puro parece um bobo e simplório. Quem é paciente e tolerante parece um sujeito sem caráter. Quem vive de acordo com seu Eu espiritual passa a ser um homem enigmático.”
Quando no jardim botânico, diante da fonte, tudo que pensava não era objeto de analise, mas de profunda intuição. “Num momento, vive-se uma vida”. Perfume de mulher, toda vez que penso nela seu cheiro invade meus pulmões. A duração das coisas em mim não obedece ao tempo dos relógios, elas ficam dentro do meu corpo quanto tempo eu quiser.
Sentado na praia da bica na Ilha do Governador, eu li num livro de Edgar Allan Poe: “Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite”.
Essa minha mania de ser anjo, de buscar a perfeição pelo coração, pelos sentimentos, pelo amor tornaram-me assim. A gente vê, ouve, toca as coisas que existem lá fora. E esse caráter sinestésico é o que para muitos simboliza a realidade. Porem aprendi a me olhar para dentro e isso é que hoje mais me importa. Olho-me no espelho. Fito a minha imagem e gosto de imaginar que o reflexo não é meu. E essa outra pessoa que me olha descobre meus defeitos, mas também reconhece minhas qualidades. Nessas horas esqueço do meu ego. Ali nu diante do espelho contemplo toda a minha imperfeição. E sou feliz por ela me ter.
Eu me encantei com aquela moça a primeira vista, como ela era bela, boca quase tão vermelha quanto uma maçã do amor, cabelos lisos e negros caiam por sobre seus ombros como se fosse cachoeira. A pele branquinha como a neve dos Alpes dava a impressão que ia derreter sob o sol forte. Os olhos não davam para saber a cor, mudavam sempre de tom, talvez estivessem de acordo com seu humor do dia. Mas não conversei com ela o suficiente para achar sua beleza digna do meu amor. Para mim a beleza também vem das palavras.
Paulo de Tarso é a minha sabedoria: “Eu morro todos os dias - e é por isso que eu vivo”. Sorriso e pranto, vitória e derrota, se caio, levanto. A vida é um paradoxo, para viver é preciso morrer. Para tanto, tenho uma estrela brilhando na testa e uma fênix voando no céu da minha boca.
Nessa jornada da minha alma pela evolução já estive na escola primária do ego e agora estou prestando vestibular para a universidade cósmica do Eu. Aqui no Rio, que é uma cidade do mar, quando passeio pela lagoa vou ouvindo vozes antigas, algumas de muita alegria e outras de profundo lamento. Aprendi a me acostumar com isso através do tempo. Mas não conto pra ninguém com medo que pensem que sou louco. Mal sabem eles que a loucura é o estagio máximo da lucidez. “ O hotel Marina quando acende/Não é por nós dois/Nem lembra o nosso amor /Os inocentes do Leblon....
No Rio as pessoas aplaudem o pôr-do-sol. Teve um dia que depois de muita maresia, passei a noite deitado nas pedras quentes do arpoador. Ah se eles soubesse como eu sou por dentro não me desprezariam tanto. É por isso que gravei na base da dor, uma pequena tatuagem de profundo significado. O Ying e o Yang estão marcados no meio das minhas costas. E o Tao revelou o meu destino: “Quem é iluminado por dentro parece escuro aos olhos do mundo. Quem progride interiormente parece ser um retrógrado. Quem é auto-realizado parece um homem imprestável. Quem segue a luz interna parece uma negação para o mundo. Quem se conserva puro parece um bobo e simplório. Quem é paciente e tolerante parece um sujeito sem caráter. Quem vive de acordo com seu Eu espiritual passa a ser um homem enigmático.”
Quando no jardim botânico, diante da fonte, tudo que pensava não era objeto de analise, mas de profunda intuição. “Num momento, vive-se uma vida”. Perfume de mulher, toda vez que penso nela seu cheiro invade meus pulmões. A duração das coisas em mim não obedece ao tempo dos relógios, elas ficam dentro do meu corpo quanto tempo eu quiser.
Sentado na praia da bica na Ilha do Governador, eu li num livro de Edgar Allan Poe: “Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite”.
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